terça-feira, 25 de outubro de 2011

Esta-não-tem-nome.

   O jogo começa: 5 minutos após, a torcida São Paulina vai ao delírio! Fogos e rojões explodem no céu. Viam-se, em total contrariedade, torcedores santistas murchando.
   Era o primeiro jogo ao qual Lucas, santista roxo, ia só. Seus amigos estavam viajando. Seu pai (e, por sinal, companheiro de torcidas), em viagem de negócios.
   Ao término do primeiro-tempo, o time de Lucas perdia de 2 a 0.
   Durante o intervalo, sentou-se em seu lugar (pois ficara em pé durante todo o jogo), e surpreendeu-se ao perceber que só lhe restava um gole do "refri" gelado. Ficou chupando com o canudinho e fazendo barulho, indignado com o resultado.
   Quando resolveu se levantar para comprar mais, uma garotinha miúda de cabelo castanho nos ombros sentou-se ao seu lado esticando-lhe a mão que segurava um copo quase cheio de "coca" com gelo.
   - Você ia comprar mais? Não precisa não, 'tá? Fica com meu copo. Eu não aguento tudo. Pode pegar. - disse ela com um sorriso sapeca.
   Lucas, que sempre gostou de quando "cuidava brincando" de seus primos menores, ficou mais relaxado da tensão do jogo quando percebeu que talvez teria uma nova amiga.
   - Ei, obrigado! Estou morrendo de sede! Toma isto para você - disse ele, entregando-lhe alguns cookies caseiros que tinha trazido na mochila.
   - Uau! Obrigada! Adoro cookies, balas, chocolates, tudo! Qual o seu nome?
   - Lucas. - e estendeu-lhe a mão para cumprimentá-la. - E o seu, senhorita?
   - Eu sou canhota. - disse, pegando a outra mão do rapaz e cumprimentando-o. - E meu nome é Jullia. Tenho 7 anos e amo tartarugas! Tenho três: Sally, Téri e Todd. Mas Todd anda muito doente.
   - É mesmo? E o que ele tem? - respondeu o outro, com um interesse sincero.
   - Anda meio murchinho. Está enrugado, e quase não brinca. Só come.
   - Hum... tente mudar o aquário de lugar, e comece a dar algumas frutas em pedacinhos para ela. Meu primo salvou assim a tartaruga que tinha.
   - Espero que dê certo com Todd! É o mais novinho.
   E conversaram durante todo o intervalo. E continuaram conversando mesmo depois do início do 2º tempo.
   O pai de Jullia participou do diálogo durante um tempo, e realmente gostou de Lucas.
   Lucas e Jullia conversaram sobre todas as coisas: gibis, cabelo, comida, cores, chapéus, nuvens, canetas, flores... até cantaram "Palavra Cantada".
   Decidiram que se encontrariam em todos os jogos do Santos (se não fosse contra o São Paulo) para conversarem, comerem, cantarem.
   Lucas se surpreendia com a pureza e a mente de sua amiga Jullia. Aprendeu tanto com ela!
   Todos deveríamos reviver os pensamentos de criança com uma criança. Nunca subestimar sua capacidade! Uma história pode ocorrer mesmo em meio a gritarias, suor e tensão quando duas ou mais pessoas estão dispostas a começar uma nova experiência.

*Não me pergunte de onde a Jullia tirou os nomes das tartarugas...
Escrito em 2010, 1º ano do EM

domingo, 18 de setembro de 2011

Muffins ou Suffering?

  Natália visitou a Starbucks para pegar um Latte naquela manhã no aeroporto de cumbica.
  Estava com seus fones-de-ouvido importados, escutando Andre Bocelli; não que gostasse, mas é que o cantor a lembrava de seu irmão, a quem iria visitar naquela feriado da Independência.
  - Olá!, bom-dia! O que a srta. deseja nesta manhã? - perguntou o atendente, super simpático.
  - Nossa! Queria ter esse pique para trabalhar no feriado! - respondeu Natália, abrindo o sorriso, surpresa com a disposição daquele rapaz de olhos esverdeados - Eu vou querer um latte e um muffin daquele ali.
  Estava pagando seu pedido, quando uma mulher baixinha e gorducha, num movimento rápido, levou a carteira que Natália segurava, juntamente com seu iPod. A garota ficou sem reação e, quando viu, o rapaz que a havia atendido estava correndo atrás da ladra, como um atleta. Natália o seguiu com os olhos, até que o viu segurando a mulher, com a ajuda de dois seguranças, e recuperando os pertences roubados. Apaixonou-se.
  - Moça, aqui, tome as suas coisas. Desculpe-me a ousadia, mas, você escuta Andrea Bocelli?
  "Oh! Que educado!!" pensou ela.
  - Eu... hãm... ah! Não, na verdade não. É que hoje eu estarei indo visitar meu irmão em Dallas/TE, e ele escuta Andrea Bocelli. Eu acho bonito, mas não chama tanto minha atenção! Agora você que me desculpe a ousadia, mas... você não tem de voltar a trabalhar, não, er... Jônatas? - disse, olhando para o crachá do rapaz atentamente.
  - Somos dois intrometidos, então, minha cara. Tenho algo para lhe falar: os voos dessa manhã foram cancelados por causa da neblina, e acho que a srta. não poderá viajar. - Vendo a paciência de Natália, ele continuou: - E, sobre trabalhar... meu pai é o dono, acho que ele não se importa. Vamos tomar café juntos?
  E foram, como um casal perfeito: lindos, sorridentes, olhando nos olhos um do outro. Lá fora, uma multidão desesperada, se apertando e reclamando. Que loucura!
  Olhando no meio daquelas pessoas tão aflitas, Natália viu um casal que estava sentado no chão. Ele tocava violão, e ela apreciava atentamente.
  Deveria decidir entre a calma e a aflição; entre o desespero e a paz. Olhou involuntariamente para Jônatas, à sua frente. Ele a fitava.
  - Hum... você conhece Guarulhos? Há muitas coisas legais por aqui. É feriado. - disse Jônatas, finalmente - E, olhe aqui. Tenho um celular que faz ligações internacionais, inclusive para o Texas. Topa?
  Decidira.

Escrito em: 03/Set/2010, 1º Ano EM


sábado, 17 de setembro de 2011

Cartas de amor, e não de paixão.

Escrito em: 28/Fev/2010, 9º Ano

O ser apaixonado encontra-se em um estado comum (pois, há mais apaixonados do que não-apaixonados, não é mesmo?), porém diferente. É como sonhar acordado. Uma esperança que surge não se sabe de onde. Uma boa vontade de lavar o chão que não parece estranha. Chega a dar sentido à vida de uma pessoa, de tão mágico!
 E daí, escrevemo-lhes (à pessoa amada) cartas de amor. Cartas que expressam o louco desejo de passar tempo juntos. Que descrevem minuciosamente as qualidades do outro, e nunca seus defeitos. Cartas que fazem promessa a curto ou a longo prazo. Cartas melosas, que comparam o tamanho do amor em questão.
 Mas é preciso que haja equilíbrio entre um estado e outro, para não haver arrependimento. Fazer promessas reais. Expressar um amor real. Porque a paixão é passageira, mas o que dura para sempre é o amor.
 Quando estamos apaixonados, as cartas são sinceras, porém são palavras que servem a curto prazo, mas que depois passam a ser ridículas. Uma carta cujo remetente está amando de verdade, tem palavras sinceras, e que nunca perdem o sentido.
 Se você quer escrever uma carta de amor sincera, então escreva. Se você quer escrever uma carta de paixão, então aguarde até amar de verdade.



*Little explanation. Quando escrevi essa redação, estava pensando bastante em coisas que eu escrevia (cartas, diários) movida por "paixão", e ouso dizer, AMOR. Fazia muito sentido na época, e eu dava valor a cada palavra que eu escrevia, apaixonada... mas, agora, olhando para trás... Nossa! Eu fazia tantas "promessas" (mesmo que tenha acontecido em relação a poucas pessoas), dizia tantas coisas, encobria defeitos, mágoas, e, enfim, realmente fazia tudo isso que escrevi no texto. E essas coisas eram tão, tão reais para mim naquela hora! Mas agora, quando vejo tudo o que eu escrevia, rio de mim...
Quero apenas escrever cartas de AMOR com valor eterno, até estar totalmente certa de que vou realmente poder expressar meu amor (nesse sentido) exclusivamente para alguém para sempre.

Era assim: "Faça uma nova versão da poesia 'No meio do Caminho', de Carlos Drummond de Andrade."

Escrito em: 28/Out/2008, 8º Ano.

Havia uma rosa no meio do caminho
Parei e pensei, a mim mesma questionei:
"Qual será a dessa dama,
Que se desmancha no caminho?"
Sentei, e tentei:
Talvez tenha se separado de suas irmãs,
E agora passa por delicados momentos;
Talvez tenha se sentido triste
Por não ter reconhecidos os seus talentos;
Talvez tenha se cansado
De enfrentar seus desalentos,
E tenha se lançado aos poderosos Quatro-Ventos.
Porém, aquela rosa,
Triste e inconsolável,
Frágil e pouco formosa,
Contou-me de que sua beleza insondável
E sua vida de flor majestosa,
Se estenderam apenas
Até que acontecesse algo lamentável:
Sua possuidora se separou
De Pedro Mascarenhas
E ela, o símbolo do que já não existia,
Resolveu viver pelo menos
Até que raiasse o dia.
Havia, no meio do caminho, uma rosa.
Não uma rosa formosa,
Mas uma rosa de vida dolorosa
Agora sem vida... num redemoinho...
Era a própria pedra no meio de seu caminho.

Primeiro Post - "Introdução"

Por esses dias, abri a última gaveta da minha cômoda, e, lá embaixo, achei (confesso que de propósito) um envelope grande. Dentro, algumas folhas amassadas e outras nem tanto, contendo algo que julguei novamente precioso, ao reler: minha pequena "Coletânea" de redações, todas escritas como "trabalho" de escola.
Achei-as dignas de um blog. 
Ao pedir sugestões de nomes para o blog a um professor (não qualquer um, mas um único), ele me disse: "pensei numa fala de Saramago sobre amor, pessoas e literatura. Ele disse, certa vez, que somos pessoas de papel, pois não há realidade sem ficção ou ficção sem realidade. Tudo é literatura, tudo é de papel. Vejo que o blog poderia ser Ideias de Papel ou mesmo Amores de Papel..."
Bem, "Pessoas de Papel" não foi exatamente uma das sugestões dadas, mas acabou sendo o único nome disponível da minha lista...Ha, Ha, Ha! Obrigada, Professor! 

Posteriormente, quem sabe, colocarei coisas além de redações aqui, bem como textos ou vídeos em alguma língua estrangeira.
Ah! E não tenho planos de modificar as redações... pode ser que uma ou outra, se tiver alguma opinião pessoal no meio, "não valha mais" para mim nesse sentido, mas já fez algum dia, e serve como lembrança. 

Espero que gostem!

Love,
Akemi